segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Operando com uma ação que comunicou pagamento de proventos


Para ilustração será tomado como exemplo o caso do Banco Itaú S.A. que comunicou por meio de Fato Relevante divulgado no dia 05 de fevereiro do corrente ano, o seguinte: 
 "o Conselho de Administração, reunido em 5.2.2018, aprovou o pagamento, em 7.3.2018, dos seguintes proventos aos acionistas, tendo como base de cálculo a posição acionária final registrada no dia 15.2.2018:
a) dividendos no valor de R$ 0,1304 por ação, por conta do dividendo obrigatório do exercício de 2017, e dividendos complementares no valor de R$ 0,9638 por ação; e
b) juros sobre o capital próprio complementares do exercício de 2017, no valor de R$ 1,1488 por ação, com retenção de 15% de imposto de renda na fonte, resultando em juros líquidos de R$ 0,9765 por ação, excetuados dessa retenção os acionistas pessoas jurídicas comprovadamente imunes ou isentos." 
Pelo acima exposto, o valor total dos proventos a serem pagos pelo Banco Itaú alcança R$2,0707, líquidos de imposto de renda relativos à parcela dos juros sobre o capital próprio. Os acionistas que possuírem ações do Banco Itaú até a data limite de 15/02/2018, farão jus a este valor sob a forma de proventos (dividendos + juros sobre o capital próprio) e receberão este valor no dia 07/03/2018, conforme declarado. 
O que representa, na realidade, tal valor, pois o comprador de ações do Banco Itaú, em data anterior a 15/02/2018, investiu capital que espera ser remunerado adequadamente? Considerando que o investidor comprou as ações ao valor de R$51,20 e que os custos desta operação representam algo como 1% do valor investido. A esta altura o investimento por ação já alcança o valor de R$51,71. Em algum momento, a partir do dia 16/02/218, este investidor poderá liquidar sua posição, o que acarretará outros 1% de custo, levando o valor para R$52,23. Este será o custo total para o investidor.
Abordando a posição de liquidação do investidor, qual seria o valor mínimo para venda das ações? O ponto de equilíbrio para venda, já considerando os custos envolvidos, seria de R$50,15, ou seja, vendendo sua posição por este valor, o ganho do investidor seria nulo, já considerados os valores dos proventos. A partir deste valor, o investidor passará a ter lucro em sua operação. 
Outro ponto a considerar em operações deste tipo é o dividend yeld, ou seja, a remuneração que o investidor teria com aplicação numa operação deste tipo. Comprando ao valor de R$51,20 e com proventos de R$2,0707, o dividend yeld será de 4,0443%. Se considerarmos o prazo para pagamento dos proventos. No entanto, é preciso levar em conta que a partir do dia 16/02/2018, o valor da ação poderá cair para um valor descontado dos proventos. Caso a ação encerre o dia 15/02/2018 cotada em Bolsa aos mesmos R$51,20 pagos pelo investidor no ato da compra, o valor para a cotação de abertura no dia 16/02/2018, poderia ser de R$49,12. Conforme mencionado acima, o ponto de equilíbrio para venda da ação é de R$50,15. Assim, para qualquer valor de venda acima de R$51,15 acarretará uma remuneração extra para o investidor. 
Bons investimentos!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Como os dividendos afetam os preços das ações


Dividendos podem afetar o preço das ações subjacentes em uma variedade de maneiras. Enquanto a história do dividendo de uma determinada ação desempenha um papel geral na sua popularidade, a declaração e pagamento de dividendos também tem um efeito específico e previsível sobre os preços de mercado.
É lógico que a possibilidade de criar renda de investimento recorrente incentiva os investidores a comprar e manter ações. Embora esta motivação possa parecer ser puramente econômica, as crenças subjacentes sobre a rentabilidade da empresa são de que os preços das ações sofrem mais impacto. Para entender como os dividendos afetam positivamente o pensamento dos investidores, é importante, em primeiro lugar, entender a mecânica do mercado de ações e o básico de como os dividendos trabalham.
A psicologia do mercado
O mercado de ações é o resultado coletivo das decisões de milhões de investidores. Embora os preços das ações se comportem com base no valor da companhia emissora, as flutuações no mercado de ações são, em grande parte ditada pela psicologia humana. Se um investidor acredita que o futuro é brilhante para uma determinada empresa, ele deve querer investir o mais cedo possível para colher o máximo de lucro. Se muitos investidores se comportam da mesma forma, o aumento dos investimentos impulsiona o preço das ações para cima, cumprindo assim a previsão do investidor. Por outro lado, se os acionistas (investidores) acreditam que uma ação está prestes a dar um mergulho, eles vendem as ações rapidamente para evitar perdas.
Se muitos acionistas compram ou vendem praticamente ao mesmo tempo, outros investidores começam a pensar que eles perderam alguma informação crucial neste período de tempo. Especialmente entre investidores de varejo (indivíduos), o pressuposto de base é geralmente que os outros sabem mais do que eles; então eles seguem a manada. Esta mentalidade muitas vezes resulta em que investidores anteriormente neutros, de repente entram na briga para evitar perder os lucros ou incorrer em perdas, agravando ainda mais o efeito.
Essencialmente, quando a opinião coletiva dos investidores é positiva, os preços das ações sobem. Quando o consenso geral é menos do que otimista, os preços caem. Apesar da natureza aparentemente complexa do mercado, a maior atividade realmente se resume ao efeito cumulativo de investidores tentando prever o que seus colegas estão pensando. Basicamente, é tudo um grande jogo de adivinhação com consequências financeiras, nada é trivial.
Como os dividendos trabalham
Para os investidores, dividendos servem como uma fonte popular de renda para o seu investimento. Para a companhia emissora, eles são uma forma de redistribuir os lucros aos acionistas como uma maneira de agradecê-los por seu apoio e para incentivar o investimento adicional. Os dividendos também servem como um anúncio do sucesso da empresa. Como os dividendos são emitidos a partir dos lucros acumulados de uma empresa, apenas as empresas que são substancialmente rentáveis pagam dividendos de forma consistente. Embora algumas empresas possam pagar dividendos para criar a ilusão de rentabilidade, esta é a exceção e não a regra.
Os dividendos são geralmente pagos em dinheiro, mas eles também podem ser emitidos na forma de ações adicionais ao volume já existente. Em ambos os casos, o valor que cada investidor recebe é dependente de suas participações acionárias atuais.
Se uma empresa tem 1 milhão de ações em circulação e declara um dividendo de 50 centavos, um investidor com 100 ações recebe R$ 50 e a empresa paga um total de R$ 500.000. Se em vez disso a empresa emite uma bonificação de 10%, o mesmo investidor recebe 10 ações adicionais, e a empresa distribui 100.000 novas ações no total.
Quando um dividendo é pago, o valor total é deduzido dos lucros acumulados de uma empresa. "Lucros acumulados" referem-se ao montante total do lucro que uma empresa acumulou ao longo do tempo, e que não tenha sido utilizado para outros fins. Essencialmente, é a quantidade de dinheiro que uma empresa tem em conta (caixa), que ela pode usar para pagar dividendos ou realizar projetos de crescimento.
O efeito da psicologia do dividendo
Ações que pagam dividendos consistentes são populares entre os investidores. Apesar de, em algumas empresas, os dividendos para ações ordinárias não serem regularmente idênticos aos das ações preferenciais, muitas empresas se orgulham de recompensar generosamente os acionistas com dividendos consistentes - e, por vezes, aumentando os dividendos a cada ano. As empresas que fazem isso são percebidas como financeiramente estáveis, e aptas para fazer bons investimentos - especialmente para comprar ações e manter os investidores que são mais susceptíveis de se beneficiar dos pagamentos de dividendos.
Quando as empresas exibem histórias de dividendos consistentes, elas se tornam mais atraentes para os investidores. À medida que mais investidores compram para aproveitar este benefício de propriedade de ações, o preço das ações aumenta naturalmente, reforçando a crença de que a ação está forte. Se uma empresa anuncia um dividendo mais elevado do que o normal, o sentimento público tende a subir.
Por outro lado, quando uma empresa que tradicionalmente paga dividendos emite um dividendo menor do que o normal, ou nenhum dividendo, isto pode ser interpretado como um sinal de que a empresa tenha caído em tempos difíceis. A verdade pode ser que os lucros da companhia estejam sendo usados ​​para outros fins - como a expansão do financiamento - mas a percepção da situação do mercado é sempre mais poderosa do que a verdade. Muitas empresas trabalham duro para pagar dividendos consistentes para evitar que os investidores fiquem assustados, e que possam ver um dividendo não pago, como um pressentimento ruim.
O efeito da declaração de dividendo e a distribuição
Antes de um dividendo ser distribuído, a companhia emissora deve primeiro declarar o valor do dividendo e a data em que será pago. Ela também anuncia a última data em que ações podem ser comprados para receber o dividendo, sendo a data seguinte a chamada data ex-dividendo. Esta data é geralmente dois dias úteis antes da data de registro, que é a data em que a empresa revê sua lista de acionistas.
A declaração de um dividendo naturalmente incentiva os investidores a comprar ações. Como os investidores sabem que vão receber um dividendo se comprar a ação antes da data ex-dividendo, eles estão dispostos a pagar um prêmio. Isso faz com que o preço das ações aumente nos dias que antecederam a data ex-dividendo. Em geral, o aumento é aproximadamente igual ao valor do dividendo, mas a real mudança de preço é baseada na atividade do mercado e não determinada por qualquer entidade governamental.
Na data ex-dividendo, a troca reduz o preço das ações pelo montante do dividendo e conta para o fato de que os novos investidores não são elegíveis para receber dividendos e estão, portanto, dispostos a pagar um prêmio. No entanto, se o mercado está particularmente otimista sobre as ações que antecederam a data ex-dividendo, o aumento de preço pode ser maior que o valor do dividendo real, resultando em um aumento líquido apesar da redução automática. Se o dividendo é pequeno, a redução pode até passar despercebida para antes como depois da negociação normal.
Muitas pessoas investem em determinadas ações, em determinados momentos, unicamente com a finalidade de coletar o pagamento de dividendos. Alguns investidores compram ações pouco antes da data ex-dividendo e depois as vendem novamente após a data de registro - uma tática que pode resultar em um lucro interessante, se for feito corretamente.
Uma nota sobre dividendos sob a forma de bonificações
Apesar de bonificações em ações não resultarem em qualquer aumento real de valor para os investidores no momento da emissão, eles têm um efeito sobre o preço das ações semelhante ao de dividendos em dinheiro. Após a declaração de uma bonificação, o preço da ação muitas vezes aumenta. No entanto, como uma bonificação aumenta o número de ações em circulação, enquanto o valor da empresa permanece estável, dilui o valor contábil por ação, e o preço das ações é reduzida em conformidade.
Tal como acontece com os dividendos em dinheiro, menores dividendos em bonificações podem facilmente passar despercebidos. A bonificação de 2% paga em ações negociadas a R$200,00 faz com que o preço caia para R$196,00, uma redução que poderia facilmente ser o resultado de negociação normal. No entanto, uma bonificação de 35% faria o preço cair para R$140,00 por ação, o que é muito difícil de desconsiderar.

Referência: Investopedia.com

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A importância da diversificação para seus invstimentos


A diversificação é uma técnica que reduz o risco através da atribuição de investimentos entre os vários instrumentos financeiros, indústrias e outras categorias. Ela visa maximizar o retorno através do investimento em diferentes áreas pois cada uma reage de forma diferente para o mesmo evento. 
A maioria dos profissionais de investimento concorda que, apesar de não garantir contra perda, a diversificação é o componente mais importante para alcançar objetivos financeiros no longo prazo, minimizando o risco. Aqui, será abordado porque isso é verdade e como realizar a diversificação na sua carteira de investimentos. 

Diferentes tipos de risco 
Os investidores enfrentam dois tipos principais de risco ao investir: 
- Sem diversificação - Também conhecido como "sistemático" ou "risco de mercado", o risco sem diversificação está associado com cada empresa. As causas mais comuns são coisas como taxas de inflação, taxas de câmbio, instabilidade política, guerra e as taxas de juros. Estes tipos de risco não são específicos para uma empresa ou indústria em particular, e não podem ser eliminados ou reduzidos através da diversificação; são apenas riscos que os investidores devem aceitar. 
- Com diversificação - Esse risco também é conhecido como "risco não sistemático", e ele é específico para uma empresa, indústria, mercado, economia, ou país; ele pode ser reduzido através da diversificação. As fontes mais comuns de risco não sistemático são o risco de negócios e o risco financeiro. Assim, o objetivo deve ser investir em vários ativos para que eles não sejam todos afetados da mesma forma pelos eventos de mercado. 

Por que você deve diversificar 
Vamos dizer que você tem uma carteira com apenas ações de companhias aéreas. Se for anunciado publicamente que os pilotos de avião entrarão em greve por tempo indeterminado, e que todos os voos serão cancelados, os preços das ações de empresas aéreas deverão cair. Seu portfólio experimentará uma queda no valor. 
Se, entretanto, você distribuísse suas ações entre a indústria de empresas aéreas, com algumas ações de empresas ferroviárias, por exemplo, apenas uma parte da sua carteira seria afetada. Na verdade, há uma boa chance de que os preços das ações de empresas ferroviárias subam, com os passageiros fazendo suas viagens por trens como uma forma alternativa de transporte. 
Mas, você pode diversificar ainda mais porque há muitos riscos que afetam tanto as empresas de transporte ferroviário, como as empresas de transporte aéreo, porque cada uma está envolvida com transporte. Um evento que reduz qualquer forma de viagem atinge ambos os tipos de empresas. Os estatísticos, por exemplo, diriam que as ações dos setores ferroviário e aéreo têm uma forte correlação. 
Portanto, se você quiser diversificar, pense não só em diferentes tipos de empresas, mas também diferentes tipos de indústrias. Quanto mais correlacionadas suas ações deixarem de ser, melhor.
Também é importante que você diversifique entre diferentes classes de ativos. Diferentes ativos - como títulos, fundos e ações - não vão reagir da mesma forma a eventos adversos. Uma combinação de classes de ativos irá reduzir a sensibilidade de seu portfólio às oscilações dos mercados. Geralmente, títulos, fundos e mercados de ações se movem em direções opostas, por isso, se sua carteira é diversificada através destas áreas, movimentos desagradáveis em um serão compensados por resultados agradáveis em outro. 
Existem outros tipos de diversificação, e muitos produtos de investimento foram criados para acomodar os níveis de tolerância ao risco dos investidores. No entanto, estes produtos podem ser muito complicados e não são destinados a iniciantes ou pequenos investidores. Para aqueles que têm menos experiência em investimentos, e não têm o apoio financeiro para entrar nesta competição, os títulos, ou fundos, são a forma mais popular de diversificar contra o mercado de ações. 
Infelizmente, mesmo a melhor análise de uma empresa e suas demonstrações financeiras não podem garantir que ela não vai ser um investimento de risco. A diversificação não vai impedir uma perda, mas pode reduzir o impacto da fraude e má informação em seu portfólio. 

Quantas ações você deve ter 
Obviamente, possuir ações de cinco empresas é melhor do que possuir de uma só, mas chega um ponto no qual a adição de mais ações para sua carteira deixa de fazer a diferença. Há um debate evidente sobre quantas ações são necessárias para reduzir o risco, mantendo um alto retorno. 
A visão mais convencional argumenta que um investidor pode alcançar a diversificação ideal com apenas 15 a 20 ações de empresas diferentes distribuídas por várias indústrias. 

Conclusão 
A diversificação pode ajudar um investidor a gerenciar riscos e reduzir a volatilidade dos movimentos de preços de um ativo. Lembre-se, no entanto, que não importa o quão diversificada sua carteira é; o risco nunca pode ser completamente eliminada. Você pode reduzir o risco associado com ações individuais, mas os riscos gerais do mercado afetam quase todas as ações, e por isso também é importante diversificar entre diferentes classes de ativos. A chave é encontrar um meio termo entre risco e retorno; isso garante que você possa atingir seus objetivos financeiros e ainda obter uma boa noite de sono.

Referência: Investopedia.com

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O que é um dividendo de ações?


No post de hoje é abordado o assunto dividendos para ações negociadas em Bolsa de Valores, também conhecido como proventos. 
Ações que pagam dividendos têm sido minhas preferidas ao longo dos últimos anos. Vale ressaltar que faço este tipo de aplicação com o objetivo de remunerar meu capital com taxas que sejam superiores àquelas de uma aplicação em fundos de renda fixa, CDB, ou outras aplicações assemelhadas, pois estes, sob a minha ótica, apresentam algumas desvantagens que deverão sempre ser consideradas, a saber: taxas de administração elevadas para baixos valores aplicados; imposto de renda na fonte antecipado a cada seis meses de aplicação (o famoso “come cotas”); imposto de renda quando do resgate de qualquer valor. Acresça-se a estes a poupança, que embora não tenha taxa de administração, nem imposto de renda, está limitada a baixas remunerações próprias deste tipo de aplicação.
Mas afinal de contas, o que é um dividendo? Um dividendo nada mais é do que uma distribuição de parte dos lucros de uma empresa, decididos pelo conselho de administração, pagos a seus acionistas. Os dividendos podem ser emitidos tanto como pagamentos em dinheiro, como em ações (bonificações). Uma forma de remuneração aos acionistas que também deve ser considerada é o pagamento de juros sobre capital. Esta forma de remuneração está sujeita a retenção de imposto de renda na fonte à uma alíquota de 15% (quinze por cento), enquanto os dividendos (em dinheiro ou bonificações) são isentos de imposto de renda. 
Após os acionistas e o conselho de administração aprovarem o pagamento de dividendos, a empresa anuncia tal fato por meio de um Aviso aos Acionistas, que inclui quatro pontos importantes: o período ao qual o pagamento diz respeito; o valor a ser pago por ação; a data a partir da qual a ação será negociada em Bolsa de Valores sem os dividendos (ex-dividendos, ou ex-proventos) e a data de pagamento prevista. 
O conselho de administração de uma empresa pode optar por emitir dividendos para diversos prazos e taxas de pagamento. Algumas empresas pagam dividendos mensais e outras pagam uma ou duas vezes por ano. Segundo a legislação brasileira as empresas negociadas em Bolsa de Valores estão obrigadas, por Lei, a remunerar seus acionistas em, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido do exercício. Existem empresas que fazem projeções de seu lucro e antecipam dividendos ao longo do ano, embora isto não seja uma regra no mercado. 
O lucro líquido de uma empresa é um fator importante na determinação de um dividendo e ele pode ser alocado aos acionistas por meio de dividendos, ou mantidos dentro da empresa como lucros acumulados para investimentos futuros na sua operação. A empresa pode optar por utilizar o lucro líquido para recomprar suas próprias ações no mercado aberto sob a forma de recompra de ações. Dividendos e recompra de ações não mudam o valor fundamental das ações de uma empresa. 
Uma boa forma para avaliar o montante distribuído como dividendo por uma empresa é a avaliação do chamado dividend-yield, representado pelo percentual que mede o dividendo em relação ao preço de mercado atual para a ação. A taxa de dividendos também pode ser citada em termos de quantidade de reais que cada ação oferece (dividendos por ação). 
Há que se levar em consideração que a partir da data em que a ação passa a ser negociada ex-proventos (ex-dividendos), o preço da ação negociada em Bolsa de Valores normalmente é inferior ao preço anterior, em virtude do desconto do valor dos proventos. Isto não significa dizer que a ação se desvalorizou, pois o acionista mantém sua ação com o novo valor, acrescido do valor dos proventos já garantidos. 
Para melhor entender, digamos que uma ação era negociada em Bolsa no fechamento das operações do dia anterior ao dia ex-proventos, a R$ 10,00 e pagará proventos de R$ 1,00. Assim, no dia em que passar a ser negociada ex-proventos, a abertura das operações deverá indicar um valor de R$ 9,00, que somados ao valor dos proventos (R$ 1,00), manterá os mesmos R$ 10,00 para o valor da aplicação. 
Deve ser levado em conta que, normalmente, o valor dos proventos não é pago no dia em que a ação passa a ser negociada ex-proventos. Portanto, é importante prestar atenção a este ponto para que o aplicador não venha a amargar prejuízo, por falta de atenção às datas envolvidas. Caso a ação não venha a se valorizar, o capital inicial aplicado será o mesmo. Existem casos em que já no dia de negociação ex-proventos a ação é negociada em Bolsa com valorização em relação ao preço com desconto dos proventos. Isto significa a confiança dos investidores na empresa.
Em próximo post serão apresentadas maiores informações sobre dividendos e avaliações associadas.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Tempos de resultados para 2017 - Fibria


No post de ontem foi citado que esta semana seriam iniciadas as divulgações de balanços e resultados das empresas com ações na Bolsa de Valores.
Assim é que ontem a Fibria apresentou seu balanço com lucro líquido de R$ 1.094.492.000,00 para o ano de 2017, acarretando um lucro por ação de R$ 1,96, contra um lucro líquido em 2016 de R$ 2,99 por ação, ou seja, em 2017 o valor apresentado foi de 65% do valor gerado em 2016.
Do ponto de vista de dividendos, a Fibria distribuiu em dividendos, no ano de 2017 (correspondente ao exercício de 2016), o montante de R$ 393.026.000,00, ou R$ 0,7103 por ação. Como a previsão para o exercício de 2017 é de distribuição de R$ 258.000.000,00, isto acarreta uma previsão de dividendo por ação de R$ 0,4657, o que representa cerca de 65,5% do valor distribuído para o exercício de 2016. 
Não obstante, o relatório anual da companhia, referente ao exercício de 2017, menciona que "A política de dividendos da Fibria prevê a possibilidade de uma distribuição extraordinária de dividendos ao longo do ano, de acordo com sua capacidade de geração de caixa, desde que respeitadas suas Políticas de Endividamento e Liquidez e o seu compromisso com o Grau de Investimento."
Considerando que a Assembleia para apreciação da proposta constante do relatório anual, segundo o mesmo relatório deverá ocorrer no mês de abril, como ocorre regularmente a cada ano e que o pagamento do dividendo ocorre no mês de maio do mesmo ano, o dividen yeld (remuneração por ação) considerando a cotação de fechamento da ação no pregão de 29 de janeiro de 2018 (R$55,35) poderá ser da ordem de 0,8414%. Este é um parâmetro a ser considerado por aqueles investidores que olham para o rendimento de seus investimentos decorrentes de aplicações em ações que pagam dividendos.
Há que se levar em consideração que a Fibria não é uma empresa que costumeiramente paga dividendos generosos, não apresenta crescimento nos valores pagos como dividendos, nem paga valores assemelhados a cada ano, o que pode ser constatado pelos dividendos pagos relativos aos exercícios de 2009 a 2016, conforme mostrado a seguir: 2009 = R$ 0,2608; 2010 = R$ 0,3041; 2014 = R$ 0,267; 2015 = R$ 4,1546 (R$ 3,6127 + R$ 0,5419); 2016 = R$ 0,71; previsão para 2017 = R$ 0,4657. Com relação ao exercício de 2015, há que se considerar que houve o pagamento de um dividendo extraordinário em 01 de dezembro de 2015, sendo o restante (R$ 0,5419) pago no mês de maio de 2016. Deve ser observado ainda, que para os exercícios de 2011,2012 e 2013, não há indicativo de pagamento de dividendos no site da empresa (página relacionada com dividendos).
A Fibria, sendo a maior empresa do mundo na indústria da celulose e tendo grande parte de sua produção exportada, está sujeita a suas receitas e lucros atrelados às variações do dólar americano, o que, via de regra, pode acarretar as grandes variações mencionadas. Não obstante, a empresa apresenta uma administração consciente,voltada para investimentos para resultados no longo prazo.
Ficam aqui as considerações para avaliação de investidores.
Bom dia!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Está chegando a hora de anúncios dos balanços de 2017 e distribuição de dividendos


Esta semana começa a publicação de balanços do 4° trimestre de 2017 e, por decorrência, os balanços de fechamento do ano findo. 
Os eventos correspondentes, agendados para a semana apontam para os balanços de Fibria, Santander, Bradesco, Cielo e Klabin. 
Já é possível vislumbrar no horizonte a chegada da época da distribuição de dividendos pelas empresas com ações na Bolsa de Valores. Gosto muito deste período, pois, principalmente nos últimos anos, tem dado muita alegria com o pagamento de polpudos dividendos. Em um próximo post abordarei o tema dividendos, com mais detalhes.
Considero a distribuição de uma parcela significativa dos lucros de uma empresa, a forma de me manter na defensiva; é o meu investimento defensivo. 

Em tempos de crise, como o que vivemos em 2017, pode parecer que as coisas não estejam muito favoráveis. No entanto, não podemos deixar de lado alguns indícios de recuperação do mercado, quando o IBOVESPA já chegou à marca dos 85.000 pontos. Não podemos deixar de considerar que existe uma certa euforia com a Bolsa. Nestes momentos, é preciso cautela!
No momento, tenho visão otimista para o mercado. É preciso analisar os balanços com cuidado, olhando cada empresa e seu segmento de mercado,pois mesmo que venham dividendos menores agora, precisamo verificar se as empresas se mantêm fortes em geração de caixa e talvez lucros maiores ao final do ano de 2018. Sinais de balanços robustos referentes a 2017 já existem, o que, sem dúvida acarretará maiores dividendos à frente.
É uma questão de opção: querer ganho fácil, em um primeiro momento, ou acompanhar uma empresa com administração sólida e consistente, trazendo bons resultados no curto/médio prazo; é uma questão de escolha.
Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos nos próximos dias e verificar qual será o posicionamento das empresas quanto ao pagamento de dividendos.

Bom dia!

sábado, 1 de julho de 2017

Devemos guardar dinheiro?


Em artigo publicado por Morey Stettner,  na MarketWatch, é apresentado relato de Brett Anderson, um planejador financeiro certificado, de Hudson, Wis., USA, sobre o que, na opinião dele, devemos fazer com nosso dinheiro.
Anderson é de opinião que devemos ter sempre uma quantia em dinheiro, disponível, para realização de alguma emergência. Ele diz ainda, que isto pode fornecer paz de espírito e flexibilidade.
O texto abaixo foi extraído do artigo referido, para ilustração de todos.
"Idade, renda e risco à tolerância de um investidor entram em jogo, é claro. Então considere outras variáveis. Mas, como regra geral, consultores financeiros recomendam segurar suficiente dinheiro, como um dia chuvoso, para durar talvez um ano - e não um dólar a mais.
A maioria dos investidores, depois de tudo, precisa colocar seu dinheiro para trabalhar, para maximizar os resultados de longo prazo, Certo? 
Guardar muito dinheiro pode fazer com que perca anos de surtos de dois dígitos em ações, certo?
Não tão rápido, diz Brett Anderson.
Anderson preza o dinheiro. E ele convence muitos de seus clientes ao compartilhar esse amor, que ele diz lhes dá paz de espírito enquanto posiciona-os para fazer apostas ousadas quando elas se apresentam.“Minha filosofia é “dinheiro” resolve um monte de problemas e cria uma série de oportunidades”, disse Anderson.
Ao longo de sua carreira de 16 anos como conselheiro, Anderson, de 48 anos, explicou a centenas de clientes o valor de construir uma caixa de guerra. Seus clientes, em sua maioria profissionais em meio de carreira e proprietários de negócios, ganham uma renda média anual de cerca de US $ 250.000.
Ele vê a gestão prudente do dinheiro em termos de três baldes. O primeiro balde - dinheiro - deve ser guardado indefinidamente como uma defesa.
Quando esse balde enche, ele volta sua atenção para um segundo balde - uma mistura típica de títulos e ações com um horizonte de tempo de até 10 anos.
O terceiro balde representa investimentos de longo prazo, incluindo a poupança para aposentadoria, que é deixada em uma conta separada para render ao longo de décadas.
Em suas reuniões iniciais com Anderson, os clientes muitas vezes esperam que ele vá discutir estratégias de investimento tradicionais que envolvem ações e títulos. Em vez disso, ele se concentra em parar o que ele chama de “vazamento financeiro.”
“Eu estou olhando para juntar mais dinheiro no primeiro balde”, disse ele. “Isso significa olhar para o custo de vida e reduzir os gastos de todos os dias em coisas como comer fora, roupas e viagens. Os clientes devem atingir um objetivo de poupança bruta mínima de 15% para 20%, ou mais.”
Anderson convida os clientes a depositar grandes quantias de dinheiro em contas de poupança. Dependendo do seu rendimento global e outros fatores, ele sugere que eles comecem, pondo de lado, digamos, US $ 25.000. Em vez de usar uma fórmula para calcular a quantidade do dinheiro em caixa, que diz respeito a cada um para definir um alvo viável.
“Eu normalmente obtenho um montante de proteção”, disse ele. “Eles ficam céticos inicialmente. Mas como vamos construir as suas poupanças eles começam a sentir uma sensação de segurança, muitas vezes eles querem arrumar ainda mais dinheiro.”
Como é que Anderson determina quando balde de dinheiro de um cliente está suficientemente cheio? Ele mede a sua atitude e perspectiva.“É emocional”, disse ele. “Eles gostam de dormir à noite sabendo que eles têm uma certa quantia em uma conta poupança.”
Quando Anderson encontrou um novo cliente no final da década de 30, ela tinha cerca de US $ 400.000 em sua carteira - com cerca de US $ 30.000 em dinheiro e o restante principalmente em ações. Ele sugeriu que ela aumentasse seu saldo de caixa de US $ 50.000, o que ela fez. Ele diz que ela “gostava da sensação” e manteve crescente com mais fundos. Atualmente, ela está com US $ 90.000 em dinheiro e contente com esse montante.
Felicidade e poupar dinheiro andam de mãos dadas. E a riqueza, quanto mais líquida que você acumula, mais feliz você se sente, de acordo com um estudo de 2016 por Joe Gladstone , um professor assistente na University College London.
Alguns podem chamar a abordagem de Anderson demasiado conservadora, dizendo que é preciso ter dinheiro fora do mercado. Ele rejeita as críticas, observando que Warren Buffett detém bilhões em dinheiro e “apenas espera pela oportunidade de comprar.”
Da mesma forma, ele instrui seus clientes para tratar participações em dinheiro como umtrampolim para investir quando uma oportunidade surge ou uma maneira de resolver problemas que surgem em suas vidas.Buffett, por exemplo, relata seu investimento em 1990 no Wells Fargo (WFC, -0,66%), quando os bancos foram martelados pela crise de poupança e empréstimo. Anderson pode incentivar um cliente para fazer um investimento pontual em um setor de mercado que esteja em baixa, ou use seu dinheiro para cobrir uma emergência médica que não é coberta pelo seguro de saúde.“
Ele permite que você assuma riscos maiores com seus outros dois baldes, porque você pode absorver as perdas do mercado com o seu balde de caixa (dinheiro) cheio”, disse ele.
Anderson reconhece que os investidores agressivos podem querer limitar o seu balde de dinheiro e destinar mais fundos para as ações - e potencialmente colher anos de valorização dos ativos. De 1928 a 2014, o índice 500 da S& P (SPX, + 0,15%) apresentou uma taxa de retorno composto de 9,8% .
Mas, em vez de se concentrar em taxa de retorno, ele enfatiza a flexibilidade e a paz de espírito que os investidores ganham com o apego ao dinheiro.“
A maioria dos conselheiros dizem que é um uso ineficiente do dinheiro”, disse ele. “Eu digo que é exatamente o uso mais eficiente do dinheiro, especialmente no curto prazo. Se você aplicar muito dinheiro em ações, você tem o risco do mercado e você perde acesso e liquidez "."